Devo deixar de dobrar o meu tempo?
Devo partir em busca de outro relevo?
Devo sair das manifestações do relógio?
Devo tentar me guiar pelas entrelas?
Cidade e cerrado
Carro e cavalo
Cigarro e cigarra
Fritas e frutas
Aqui ouço carros, os bichos de lata
Aqui cheiro fumaça, poluentes em massa
Aqui como fritas, calorias que irritam
Aqui bebo água, envenenada e encanada
Lá ouço cigarras, bichos do mato
Lá cheiro flores, aromas diversos
Lá como frutas, direto do pé
Lá bebo água, da nascente vizinha
Metais para os lados, em cima e embaixo
Fios que me enrolam quando tento segui-los
Árvores com pássaros, cantando para as nuvens
De noite vejo estrelas, sem fumaça que as cubra
Devo deixar essa cidade imensa?
Devo ficar com minha casinha de madeira?
Devo trair os tijolos e o concreto?
Devo deitar-me na grama com os insetos?
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