terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Mesmo com a chuva e o tempo desagradáveis
Mesmo após abrir a janela e sentir as gotas geladas tocarem a pele
O coração ainda está intacto
Calmamente se deliciando com a quentura de seus braços
O afago nos cabelos
A umidade de seus lábios

Mesmo após trovões
Seu sorriso me derrete
A alegria me consome
Os dedos cruzados nos comovem
De joelhos encostados
O meu no seu
Tão carinhosamente

Esse sentimento é belo
Mesmo sem os belos flocos de neve
Mesmo sem as belas cantorias em nossa porta
Mesmo sem a lua vigiando a nossa noite

Feliz natal

domingo, 28 de novembro de 2010

Sem ti

Mesmo que eu soletre
Os sentimentos se embaralham
Os anagramas se espalham
As frases se dissipam
E a garoa toca a pele

Mesmo que eu tente te explicar
Eu não consigo, eu não posso
Pois não entendo o que faço
Nem o por que
Apenas faço
Por vezes, pensando em você

A garoa fica forte com o decorrer de uma conversa
O vento bate forte em meus olhos
Em seus olhos também, deixando-os avermelhados como os meus
Assim como a garoa toca sua pele também

Dou as costas e vou embora
Hora de sair da chuva
O mesmo para você
- Vá buscar seu lenço! Eu vou me secar no meu
Sem ti.

Naquele Mundo

Me perco
No momento em que a chave toca a fechadura
No instante em que a pessoa não sou eu
Na narrativa maravilhosa da terceira pessoa
Na independência de outra pessoa para que possa imaginar seu eu

Assim fico ao ler meus livros
Bestificado com a maravilha de ser guiado
Iludido
E me deixar levar
Fingindo que estou vivo

A questão é que lá, sou outro
Talvez mais feliz
Talvez mais humano
Talvez menos morto
Talvez lá, esteja vivo
No mundo perdido

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Trovejando Patrono

Minhas cordas vocais sentem
Sentem muita vontade de se romperem
Num único trovejar
Em que todas as conjugações e orações da comunicação não seriam usadas
Pois o trovejar de minha voz
Lhe diria tudo

Ou não
Talvez não tenha nada a dizer
Talvez só queira trovejar
Esbravejar
Soltar a voz sem significado
Apenas acordar quem parece estar dormindo
Pois estou ficando sonolento de vê-los dormindo
Ou eu estou dormindo?

"Acorde!
Pare de dormir!" - Trovejei contra mim.

Hipocrisia minha querer trovejar contra os sonolentos
Quando eu mesmo estou sonolento
Quando eu mesmo trovejo contra mim
E quando eu mesmo não quero ouvir trovejar

De que adianta ser o bacana
Ser o legal
Ser o amigo
Se durante um simples minuto
Sinto que tudo isso se torna patrono
Ou como diria Harry Potter
"Expecto Patronum!"




Explicação do termo:
Expecto Patronum é um feitiço usado por Harry Potter para evitar os Dementadores - serem das trevas que fazem o medo aparecer em todos a sua volta - e, para conjurar o feitiço, é preciso pensar em boas lembranças - passado - que criariam o patrono que o salvaria.

sábado, 31 de julho de 2010

Maldito Tempo

Maldito tempo
Que demora a vida
Que enrola a passar
Que deixa tudo a vagar

Maldito tempo
Que me deixa pensando
Quanto tempo ainda me falta
Quantos surtos ainda suporto
Quanta variedade ainda vou ter

Maldito tempo
Me fazendo de bobo
Trocando minhas ideias
Confundindo minhas lembranças
Embaralhando meu sentimento
E desvendando outros mais calmos

sábado, 24 de julho de 2010

Tantas Eras

Temos tantas novas eras
Uma mais velha que a outra
Tantos retornos
Tantos renascimentos
Tanta repetição
Em busca de ser quem alguém quer ser

Temos tanta vontade de tudo
De mudar, de manter
De voar, de correr
De lutar, de chorar
De viver, de morrer

Todas as vontades serão sempre sentidas
Ao mesmo tempo
Ou periodicamente

São tantas novas eras
Que me envelhecemos sem ao menos entender uma delas
Era do vilão, era do mocinho
Era do galã, era do bandido
Era do tranquilo, era do furacão
Era assim que eu queria
Que acontecesse em minhas Eras

Minha Era, de agora
É de saudade, de tantas Eras
Minhas Eras, de agora
São como aquelas
Que na saudade ja sentia saudade
De outras Eras

Sempre severas
São essas Eras
Sem entender, que sempre estou na mesma Era.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Meu Mundo

Meu mundo tem formas diversas, assim como muitos outros
O Amor é belo, como muitos outros
A amizade é forte, frágil
Como em muitos outros mundos, além do meu

Mas o meu mundo, assim como o de muitos outros
Se baseia num ideal previsto
Tentando alcançar o ponto forte de algo já visto
Que nem sempre é fixo
Que quase nunca, se encaixa na verdade
Em meu mundo.

Me perco na imaginação e nas animações que assisto desesperadamente
Suprindo as vagas horas dos meus dias irritantes
Me pego suspirando pela felicidade alheia, que por vezes
Nem mesmo existe.

Apenas ficção
Que eu tanto amo
E me identifico
Sem traços identificáveis

Mas talvez seja de fato assim
Talvez eu de verdade, seja assim
Sem traço identificáveis
Inexistente no vasto mundo
Tanto no meu, quanto de muitos outros

Talvez seja só as marcas de um pedaço daqui
Outro dali
Um pouco de você
Um pouco de quem sabe quem pode ser.

Mas o meu mundo se torna diferente a cada seriado
O meu mundo se apaixona por diferentes cataclismas
Que aquele manipulador que tanto adoro
Determina
E eu me entrego
A meu mundo
Todo enfeitiçado.

sexta-feira, 5 de março de 2010

A Solidão dos Acompanhados

Eu canto um hino
De solidão

A Solidão dos Acompanhados
Que se sentem tão sós
Por estarem acompanhados
Sem a verdadeira solidão

ham?
Sei la!!!

Sonhos

A silhueta de um momento
Indefinida
E os lençóis me causam pesadelos
Pois simulam na semi-consciencia
O toque da sua pele
Torturando-me
Com saudade

Meu coração em choque
Confuso
Com sonhos
SONHOS
Meus sonhos
SEUS SONHOS.....
....
sonhos....
....

Que horas são?

Amizades Platônicas

São tão platônicas
As amizades

Pois pensei que o retorno traria o retorno
Pensei que a risada seria como ja foi
Pensei demais
Pois já se foi

E a tua assim se foi
Jogada por você mesmo
Ou pelo menos assim acho
Pois digo que tentei
Inverso de você

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Mundo Rodando

Enquanto estava paralizado em uma cadeira

O mundo rodava

O sol aquecia

A chuva molhava

A lua sorria

A vida passava

Desesperei-me

Sorri cansado para a cadeira

Fui para o janela

Debrucei-me no parapeito

E tentei voar pelos céus

Mas voei

Imaginando

O nome da moça que ali passava

O toque do anjo que lhe faltavam asas

O cheiro das flores ao redor daquela pessoa

O nome eu ja sei

O toque eu ja sei

O cheiro eu ja sei

Meu coração eu lhe dei

E o mundo rodou

O sol aqueceu

A chuva molhou

A lua sorriu

A vida aconteceu

Pela primeira vez

Para mim