domingo, 28 de novembro de 2010

Sem ti

Mesmo que eu soletre
Os sentimentos se embaralham
Os anagramas se espalham
As frases se dissipam
E a garoa toca a pele

Mesmo que eu tente te explicar
Eu não consigo, eu não posso
Pois não entendo o que faço
Nem o por que
Apenas faço
Por vezes, pensando em você

A garoa fica forte com o decorrer de uma conversa
O vento bate forte em meus olhos
Em seus olhos também, deixando-os avermelhados como os meus
Assim como a garoa toca sua pele também

Dou as costas e vou embora
Hora de sair da chuva
O mesmo para você
- Vá buscar seu lenço! Eu vou me secar no meu
Sem ti.

Naquele Mundo

Me perco
No momento em que a chave toca a fechadura
No instante em que a pessoa não sou eu
Na narrativa maravilhosa da terceira pessoa
Na independência de outra pessoa para que possa imaginar seu eu

Assim fico ao ler meus livros
Bestificado com a maravilha de ser guiado
Iludido
E me deixar levar
Fingindo que estou vivo

A questão é que lá, sou outro
Talvez mais feliz
Talvez mais humano
Talvez menos morto
Talvez lá, esteja vivo
No mundo perdido